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Notícias




30/10/2008
Meu depoimento sobre Oswaldo Vital Brazil

O homem: 
 
Oswaldo Vital Brazil, nasceu aos 2 de março de 1912, no Instituto Butantan, em São Paulo, onde residiam seus pais, o Dr. Vital Brazil e d. Maria da Conceição; com a morte de sua mãe, foi criado por uma irmã de seu pai, que com eles conviveu no Butantan. Aos 7 anos, (1919) foram todos para o Rio de Janeiro onde seu pai fundou o Instituto Vital Brazil. Lá ficou morando com a tia que ele chamava de mãe: Acácia Guimarães Carneiro (casada com o engenheiro Manuel Guimarães Carneiro).
 
Casou-se em 1935, com d. Stella Telles Vital Brazil, com a qual criou e educou duas filhas: Áurea e Rosa Vital Brazil.
 
Formou-se em medicina pela Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro e doutorou-se na Faculdade de Medicina de São Paulo, USP.
 
O cientista:
 
Sua formação científica foi feita no Instituto Vital Brazil, que começou a freqüentar regularmente quando estava no terceiro ano médico. Ai aprendeu as técnicas de microbiologia, de imunologia e, mais importante do que as técnicas, aprendeu a amar a pesquisa.  Depois de formado continuou no Instituto. Primeiro como Assistente, depois Chefe de Seção, e em 1945 como Diretor Científico. Nesta época, realizou seu primeiro trabalho científico de importância: o desenvolvimento de um sucedâneo do curare, para ser empregado como relaxante muscular no homem, o Kondrocurare.
 
Em 1948, recebeu convite para fazer pesquisas em Buenos Aires na Seção de Peçonhas do Instituto Malbran, onde trabalhou um ano.  Nessa oportunidade, comparou os efeitos farmacológicos dos venenos obtidos de cascaveis brasileiras com aqueles colhidos na Argentina.  Impressionado com as diferenças observadas, publicou, em colaboração com Avelino Barrio, o trabalho sobre os efeitos neuromusculares dos dois tipos de venenos.
 
De Buenos Aires veio para a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, como assistente do Departamento de Farmacologia. Lá teve a oportunidade de dar continuidade a seus estudos com o veneno de Micrurus (assunto de sua tese de doutorado) e, junto com Alexandre Pinto Corrado estudar os efeitos neuro-musculares dos antibióticos aminoglicosídeos neomicina e  estreptomicina.
 
Em 1963, candidatou-se ao cargo de professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas, recentemente fundada. Quando veio para Campinas, trouxe dois colaboradores : Maurício Gomes Lomba. que era formado em farmácia e bioquímica e Bernardo Boris Vargaftig, médico recém-formado. Em 1964, entrou para o Departamento a naturalista Julia Prado-Franceschi, primeiro como biologista do Departamento, depois assistente e colaboradora nas pesquisas.   Em 1964, apenas com a participação da Julia, do Maurício e do Nadin, o técnico que estava conosco desde o início, iniciamos o estudo dos componentes da peçonha crotálica : a crotoxina e a crotamina. Em 1967, publicamos um trabalho com uma fração que causava efeitos diferentes destas duas toxinas.   A purificação desta fração, resultou na separação de uma nova toxina do veneno da cascavel que denominamos convulxina .  Com o crescimento do departamento, outros discípulos do professor Oswaldo juntaram-se a nós; destacamos, entre eles, a doutora Lea Rodrigues Simioni, que, por sugestão do professor, dedicou-se ao estudo da peçonha da Bothrops jararacussu e, posteriormente, aos efeitos neuromusculares das peçonhas de outras bothrops, o Dr. Marcos Dias Fontana que , com ele, deu continuidade aos estudos dos venenos de corais e de opistoglifas; a doutora Albetiza Lobo de Araújo, que se iniciou conosco no estudo da peçonha crotálica e, posteriormente dedicou-se ao estudo da B. lanceolatus e os doutores Stephen Hyslop e Edson Antunes que vieram completar a equipe dos pesquisadores interessados em toxinas.   
 
Homenagens:
 
Foi agraciado com a medalha Butantan “por sua contribuição ao engrandecimento do Instituto Butantan  e para o progresso da Ciência” e  com a placa oferecida pela diretoria da Pan American Section da International Society of Toxinology “for outstanding contributions to the field of toxinology”.
 
A Academia de Ciências do Estado de São Paulo, realizou em 1988, o Simpósio sobre Toxinas Protéicas, em sua homenagem, durante o qual foi aclamado como primeiro presidente da recém criada Sociedade Brasileira de Toxinologia (SBTx), nesta condição procurou estreitar os laços que nos uniam ao Butantan e outros centros de Toxinologia no Brasil e no exterior.  Os editores do Journal of Natural Toxins, dedicaram-lhe um número dessa revista “in recognition of his numerous and outstanding contributions to the field of toxinology”. 
 
Entre as homenagens que lhe prestaram seus alunos, destacam-se as de paraninfo (1971) e a escolha de seu nome para designar a turma de doutorandos de 1975.
 
Filho de um grande médico e humanista soube honrar suas origens tornando-se um verdadeiro discípulo de seu pai.  Trabalhador incansável, orientou numerosas teses, muitas das quais de médicos que pertenciam a outros departamentos; publicou mais de oitenta trabalhos, tendo sido responsável por cerca de duzentas comunicações apresentadas em congressos por ele ou seus colaboradores, aos quais sempre procurou transmitir o entusiasmo, o respeito e o amor que sentia pela pesquisa.
 
Julia Prado-Franceschi



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